sábado, 7 de junho de 2014

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1. Eu estava em meu leito, de olhos fechados, e estendi meus braços para tocá-la. Não sei como (nem estranhei) que nossos rostos se tocaram; tive a impressão de seus lábios sobre os meus. Olhos abertos agora. Ao redor a aparelhagem, eu descansava. Acho que ainda não estou recuperado. Ela já tem de sair. Acho que fico sentado mesmo. Não sei; estou descansando. Ela apaga a luz sem dar sinal. "Não se preocupe, não aconteceu nada." Alguns recebem balas, todos riem e não percebem que estou sério. Ela não sabe porque. Agora de olhos fechados: andamos de mãos dadas um pouco pelo jardim, flores fúcsia, pôr-do-sol, brisa fresca, céu limpo, sol calmo. Soltamos as mãos, contra nossa vontade, mas de comum acordo. Agora abro os olhos, estou de pé, estou cansado, mal respiro direito, sinto um pouco de taquicardia. Preciso voltar e me deitar. Os outros trabalhadores continuam, seguem como iam. Ela me pedira para escrever, mas eu queria conversar. Agora vou fechar os olhos um pouco. "Não estou afim de fotos hoje".

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