Eu podia ter o seu coração agora, guardar seu coração numa estante. Podia e devia te fazer ajoelhar, segurar teu queixo com uma mão... puxar teu cabelo. Eu te amo, mocinha. Você acha que é brincadeira, mas com seu coração não brinco não. Vou beber água e quando eu voltar, quero ele pra mim. Vou cuidar dele, melhor do que você tem cuidado.
Minha promessa de campanha é de ser jardineiro do teu coração. Deixe de ter medo e se arrisque um pouco, se abandona em mim, deixa-se libertar disso tudo. Dormir sem roupas, nadar sem roupas, etc, etc, etc.
A casa era linda. Parecia um canteiro de obras, é verdade, escadas pra todo lado. Mas dava até um certo charme. As folhas caídas por todo o chão. Árvores no quintal vizinho, muros baixos. Na frente tinha um espaço que poderia ser uma garegem, se não fosse tão exíguo de largura. O portão de ferro era amarelo claro. Ficamos um bom tempo no tanque do ínfimo quintal, conversando. Depois, murmurei alguma coisa e fomos para o chão. Creio que pra sala. Ficamos horas abraçados, perdemos a noção do tempo e já anoitecia quando reinauguramos o chuveiro para nos recompor e sair. Quando saí do banheiro, a procurei pela casa e encontrei no quarto, segurando um porta-retratos, concentrada. Sabia que eu estava na porta e não me olhava. Vi sua expressão mudar. Me olhou, com lágrimas nos olhos e o queixo trêmulo. Eu a abracei sem olhar o porta-retratos, sem dizer nada. Enquanto saíamos, todas as ruas me pareciam iguais, com seu jeito provinciano calmo, com as árvores perto das casas, os muros elegantemente enfeitados e simples. Um bairro agradável. Mas agora era noite e estava diferente. Você ficou uma mão sobre o queixo, o cotovelo na janela, olhando talvez a estrada que passava, as árvores que pareciam se repetir. A estrada agora era mal-iluminada. Eu pus a mão em sua coxa e logo encontrei o calor de uma mão magra e macia. Eu a apertei mas logo a soltei para engatar uma marcha. Encostei, conversamos um pouco, depois saímos e ficamos olhando as estrelas, sem nos abraços. Eu reparei que você não queria sentar sobre o capô e não sentei também. Depois namoramos ali, de pé, e ficamos abraçados sentindo o contraste do vento frio noturno e dos nossos troncos entra-aquecidos...
Não quero saber de seu passado nem falar do meu. Vamos dormir apenas, e amanhã falaremos sobre o que vai ser de nossas vidas. Se amanhã você ainda quiser ir morar lá, nós iremos. Mas amanhã faremos as malas, só amanhã.
Eu sinto uma dor aqui dentro, bem aqui, quando você faz isso. Dá vontade de chorar, parece que o mundo vai acabar, eu rezo pra que passe brevemente, e Deus me atende. Fico me perguntando porque faz isso comigo, se não vê que está me machucando. Creio que meus apelos não adiantam, então, me quedo como uma boneca de pano e deixo você pintar e bordar comigo. Tenho alguma esperança de que você mude. Engulo tudo calada pra que não soframos... Eu... Você me machuca muito quando faz isso. As palavras doem. Se você lesse meu pensamento agora! Mas não lê, não lê nada, não percebe meus sinais... você é cego. Eu te amo, seu bruto. Você é pessoa com quem mais me importo nesse mundo. Pára de falar um pouco, pára de falar pelo amor de Deus, estou ficando maluca com tua voz. Você nunca se cala! Meu Deus! Porque não me beija de uma vez? Aí você veria que te amo tanto quanto você diz me amar, talvez até mais. Se não te provo, é pra não te fazer sofrer. Você está falando tão alto e nem sabe. Cala a boca, por Deus. Eu te amo.
...porque é só isso, no fim das contas. Amor. Quando a gente aprende a amar, como eu te amo, aprende que é livre pra ficar triste, mas também pra se livrar dessa tristeza. Se você acredita mesmo no que falou, vai saber do que estou falando quando digo que te amo.
Você não sabe de nada, seu bobo.
Minha promessa de campanha é de ser jardineiro do teu coração. Deixe de ter medo e se arrisque um pouco, se abandona em mim, deixa-se libertar disso tudo. Dormir sem roupas, nadar sem roupas, etc, etc, etc.
A casa era linda. Parecia um canteiro de obras, é verdade, escadas pra todo lado. Mas dava até um certo charme. As folhas caídas por todo o chão. Árvores no quintal vizinho, muros baixos. Na frente tinha um espaço que poderia ser uma garegem, se não fosse tão exíguo de largura. O portão de ferro era amarelo claro. Ficamos um bom tempo no tanque do ínfimo quintal, conversando. Depois, murmurei alguma coisa e fomos para o chão. Creio que pra sala. Ficamos horas abraçados, perdemos a noção do tempo e já anoitecia quando reinauguramos o chuveiro para nos recompor e sair. Quando saí do banheiro, a procurei pela casa e encontrei no quarto, segurando um porta-retratos, concentrada. Sabia que eu estava na porta e não me olhava. Vi sua expressão mudar. Me olhou, com lágrimas nos olhos e o queixo trêmulo. Eu a abracei sem olhar o porta-retratos, sem dizer nada. Enquanto saíamos, todas as ruas me pareciam iguais, com seu jeito provinciano calmo, com as árvores perto das casas, os muros elegantemente enfeitados e simples. Um bairro agradável. Mas agora era noite e estava diferente. Você ficou uma mão sobre o queixo, o cotovelo na janela, olhando talvez a estrada que passava, as árvores que pareciam se repetir. A estrada agora era mal-iluminada. Eu pus a mão em sua coxa e logo encontrei o calor de uma mão magra e macia. Eu a apertei mas logo a soltei para engatar uma marcha. Encostei, conversamos um pouco, depois saímos e ficamos olhando as estrelas, sem nos abraços. Eu reparei que você não queria sentar sobre o capô e não sentei também. Depois namoramos ali, de pé, e ficamos abraçados sentindo o contraste do vento frio noturno e dos nossos troncos entra-aquecidos...
Não quero saber de seu passado nem falar do meu. Vamos dormir apenas, e amanhã falaremos sobre o que vai ser de nossas vidas. Se amanhã você ainda quiser ir morar lá, nós iremos. Mas amanhã faremos as malas, só amanhã.
Eu sinto uma dor aqui dentro, bem aqui, quando você faz isso. Dá vontade de chorar, parece que o mundo vai acabar, eu rezo pra que passe brevemente, e Deus me atende. Fico me perguntando porque faz isso comigo, se não vê que está me machucando. Creio que meus apelos não adiantam, então, me quedo como uma boneca de pano e deixo você pintar e bordar comigo. Tenho alguma esperança de que você mude. Engulo tudo calada pra que não soframos... Eu... Você me machuca muito quando faz isso. As palavras doem. Se você lesse meu pensamento agora! Mas não lê, não lê nada, não percebe meus sinais... você é cego. Eu te amo, seu bruto. Você é pessoa com quem mais me importo nesse mundo. Pára de falar um pouco, pára de falar pelo amor de Deus, estou ficando maluca com tua voz. Você nunca se cala! Meu Deus! Porque não me beija de uma vez? Aí você veria que te amo tanto quanto você diz me amar, talvez até mais. Se não te provo, é pra não te fazer sofrer. Você está falando tão alto e nem sabe. Cala a boca, por Deus. Eu te amo.
...porque é só isso, no fim das contas. Amor. Quando a gente aprende a amar, como eu te amo, aprende que é livre pra ficar triste, mas também pra se livrar dessa tristeza. Se você acredita mesmo no que falou, vai saber do que estou falando quando digo que te amo.
Você não sabe de nada, seu bobo.


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