sábado, 7 de junho de 2014

Saudades de mim, amor?

Desde que a conheci, ela sempre me contou de suas viagens. Tóquio, Massachusetz, Mentevideo. Até mesmo à cidade vizinha. Ligo o ŕadio estirando bastante o braço. Odeio essa fumaça de cigarro que não sai. Eu sinto esse cheiro mesmo dias depois. Nenhum de nós fuma, graças a Deus. Sonique teve uma crise de vômito outro dia, acho que por causa de cigarros. Passou três horas no banheiro, mas agora já está bem. Isso foi muito antes dessa viajem. Ela me disse que ia a Tóquio, pra tratar-se com o ortopedista. Devo ter entendido Tóquio erroneamente. Mas é que eu olho pra cara dela e já penso em Tóquio. Sonique não vai com ela, nem pra dirigir, pois está muito mal. Ela é mesmo muito iluminada, aprendeu a perdoar e está aprendendo mais a cada dia. Em meia hora ela consegue fazer as malas, mesmo sem a ajuda de Sonique. Sonique não está querendo saber de nada, está de calundu, pra variar. Nunca me importei com as viagens. Eu sinto falta de Clara, que viajou e não voltará. Mas ela sempre volta. A sua volta é que me importa. "Ainda vou fazer as malas. Me dá meia hora." Sonique não se importa. Levanta e desliga o rádio, depois salta. Ficamos sós. Nós nos damos as mãos rapidamente. Ela sempre conta como foram as viagens. "Sentiu saudades de mim, amor?"

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