sábado, 7 de junho de 2014
Estávamos sem roupas e estávamos a sós. Eu preferia uma matilda ou bertta, mas o 22 servia. Saímos até à porta, ela veio atrás. A casa toda estava em silêncio e não era seguro que ela fosse vista comigo, então aqueles sons eram realmente angustiantes. Passos se aproximavam, ou então podia ser apenas meu entendimento turbado pelo nervosismo. Quando nos levantamos, quase escorregamos tentando nos deslocar em silêncio ara ouvir, e então... Então os corpos úmidos se tocaram, ela me abraçou por trás, primeiro sem muita coragem e depois com força, eu mal podia me manter de pé, mas ela me segurava, eu podia ouvir a sua respiraão tensa, em descompasso com a minha e minha nuca arrepiou. A minha direita toca o umbrau da porta. Tudo escuro, o corredor escuro, a sala escura, o quarto escuro, a noite escura, a luz do banheiro acesa, e eu não podia ver nada à minha frente: "me leva de volta, sim?" paramos um instante, acho que estava tonta. É preciso braços fortes e no mínimo alguma técnica para levar alguém nos braços assim. Esta casa é assim mesmo, o calor faz a madeira diatar e estalar. Fiquei olhando um pouco seus olhos, tentando entender em que direção olhavam suas maçãs tão bonitas. Acho que se eu não a segurasse, cairia. Estendi minha mão até à mesinha ao lado e peguei um bombom, Serenata de amor (tm), que desembrulhei e fiquei segurando na mão. Um bombom sendo levado à boca é como o paraíso se movendo até o ser humano. Nhac. Uma mordida. Porque as pessoas mordem mordidas pequenas num bomobom pequeno? Será pena... É... Chocolate é mesmo para mulheres. Algum tempo (longo tempo) depois (bem depois) uma mão feminina pega num pente para pentear um cabelo feminino. Adoro massagem na cachola, faltava quem fizesse. Um bom livro, um bom chá, sla confortável, minhas mãos deslizam pelas páginas assim como depois deslizam meus dedos entre os fios como a água no banho, e algum tempo depois estou sob lençóis. Quero uma história, mas tem de ser de amor e de amizade, com unicórnios (ou motos ao menos) para eu dormir. O cansaço vai me vencendo e vou relaxando lentamente. Não sinto as pernas, os braços estão moles, ouço grilos e sinto sua presença... Um cheiro de rosas, vou adormecendo, agora já devo estar dormindo. A porta abre, meu gato entra noturno pela brecha e me olha. "Clarice?" O sono é forte. Deita aqui, dorme aqui, só hoje.
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