"O pessoal lá de cima está exigindo essa viagem, amor...""Eu te esgano!""Esgana nada... sabe que se fizer isso eu gamo." Comida ou pipoca pronta, ela vem e se senta no sofá ao lado de seu amor. Está usando pouca roupa e sente-se muito à vontade. Ambos. A tevê é ligada, mas as duas pessoas não querem realmente saber de assistir, é mais uma distração. Se beijam, sorriem, comem comida ou pipoca, deixam o tempo passar. Ele toca com o queixo a pele dela e fica assim um bom tempo, apreciando seu cheiro fresco e menógeno. Ela se arrepia mas se contém. Ele ri e a provoca, mas tudo não passa de uma brincadeira. De brincadeira ela põe comida ou pipoca na boca dele, ou melhor (ou pior), negaceia e come sozinha. Eles entrelaçam as pernas de formas que só se vê em desenhos animados, coisa de crianças. Longe, vindo talvez do banheiro, um telefone ou celular chama, mas é ignorado, enquanto ela acaricia-lhe os cabelos já bagunçados e brinca com as unhas semi-longas, ele a abraça com força, de lado, comprimindo-lhe os ombros e machucando-a um pouco, e beija seu pescoço repentinamente, repetidamente, rapidamente. Ela sorri, mordendo de leve a ponta da língua e o lábio inferior, contraindo à mercê os músculos entre os lados do nariz e os cantos interiores dos olhos, num gesto faceiro típico. Os dois se abraçam e se inclinam no sofá, prum lado e pro outro, devagar, como um pêndulo, como uma árvore que finge ousar ceder à ventania, como dois orikishis disputando força.
A tevê está ligada. Do rosto dele pingam gostas de suor, e a beija com paixão, com uma boca úmida, que guarda o calor igualmente é guardado calor entre seus ventres. Ela arqueja e crava de leve as unhas em suas costas, e então fechas os olhos, tudo escurece, tudo some, até seu corpo some, ela é só prazer, sente muito alegre e muito mais próxima à divindade.

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