Era uma vez uma menina que nasceu com alma nobre, o que quer dizer que ela era humilde e via em cada semelhante um irmão, um ser completo, com seus defeitos e qualidades e sem máscaras. Mas essa visão foi aprendida no convívio (e na solidão) e não surgiu duma hora pra outra, assim como os afetos que carregava em seu coração. Pois esses afetos a aproximavam de um jovem capataz, mesmo ela sabendo que o Senhor Coronel seu pai não permitiria uma afronta dessas; muito menos que ela se entregasse como fez, aos sentimentos e desejos que nutriam os pombinhos em seus corações e corpos. O amor aflorou seus espíritos e seus templos, os seus corpos, mas também a racionalidade lógica que a fez um dia pensar em fugir daquilo tudo. O final da história não diz respeito e só nos ateremos à nossa. O que importa é saber que ela amava o pai, apesar de tudo, assim como eu também te amo, e amava tanto que não queria que ele sofresse, por isso lhe criava dores, para que pudessem ser sanadas. É complicado isso. Eu te amo e não quero te sufocar com um amor impossível, que não é tangível no mundo físico, que não encontra expressão no que conhecemos. A sociedade nos acostuma a isso, mas eu tanto posso ficar o dia inteiro comendo sem me saciar quanto sem comer e saciada. Eu posso ficar longe de teu corpo e te amar só em pensamento; mas neste momento te quero colado à minha pele e tua boca a meu colo. Mas eu sou capaz de perdoar se você não puder me amar com toda a sublimidade, intensidade e perdão com que te amo, e isso porque você não é egoísta como eu. Eu, como diria Clarisse, amo para te humilhar com esse amor desumano e infinito que você nunca compreenderia. Essa noite eu quero uma coisa que você possa compreender, como fazer amor e depois namorar e depois fazer amor. Meu amor não se acaba e eu posso tirar a calcinha agora pra você e ainda continuar pura como quando nasci, ou mais até, porque o seu toque me purifica.As coisas que você pode compreender me enobrecem. Eu gostaria de beijar agora sua barriga... eu gostaria de te escrever uma carta de amor. eu gostaria de te contar uma piada sem graça pra testar sua boa vontade. Eu queria mais que tudo correr sob a chuva, ah, se eu pudesse! Se eu pudesse ir pra onde me desse na telha, te puxaria pelo mindinho até a cabana onde a menina nobre e humilde e o capataz se amaram. Tanto faz você acender ou apagar a luz, ou as velas, ou o candeeiro, eu não sairia de lá, porque eu precisava me redimir de todo o amor que eu fiz você sentir por mim, mas é porque te amei demais, eu sinto que nós dois nos merecemos e podemos ser felizes. Eu te mostraria coisas que até as paredes duvidam, como a maraca que um ferro quente de marcar gado um dia me deixou na pele. A vida nos marca, mas eu continuo pura pra você. Por isso quero que pegue a chave e me leve e me dispa e me deite e me ame sem medo de ser feliz. eu preciso ser perdoada pela forma como amei antes. Mas foi tudo porque eu tinha medo de ser tua. Mas agora eu não tenho mais. Vamos?
sábado, 7 de junho de 2014
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