domingo, 8 de junho de 2014

A santa

Não pense que eu sou santa. Eu sei ser boazinha, mas também sei ser louca. Todos ficam me olhando como se eu fosse um... não sei nem o que dizer, de tanto que estou cheia. Cansei de todos me tratarem como se eu precisasse de redenção, de ser absolvida por tudo. Como se eu não fizesse nada de errado, como se eu precisasse de ajuda, como se eu fosse ser grata depois, como se eu estivesse no lugar da outra pessoa.

Você entendeu isso que eu falei agora? De estar no lugar da outra pessoa? Porque todo mundo gostaria de ser ajudado, então, quando alguém me ajuda, está pensando em ser ajudado, está se colocando no lugar de quem é ajudado... entendeu agora?

Mas eu não quero receber nada que eu não mereça e pelo que eu não tenho trabalhado, minha dignidade recusa isso!

Então, deixem antes que eu prove se mereço ou não... além disso... merecendo ou não, quem disse que quero ser ajudada? E quem é que vai julgar se mereço? Eu por acaso pedi?



Nem o Cristo ajudou a quem não lhe pediu. Quem não quiser receber um não, deve evitar se intrometer no que não lhe cabe. Pois então, a vida é minha, cabe a mim como vou fazer as coisas, independente de ser mais fácil ou mais difícil. Eu não nasci colada em ninguém, sei me virar, me viro desde criança. Não preciso da pena e muito menos da gratidão de ninguém. Não sou galinha e não tenho pena nem de mim, não passo a mão na cabeça de ninguém, porque cada um tá situação em que se coloca.



Agora, tem gente que acha que faz os outros se sentirem melhor ao aliviar suas penas. Pois pra mim, só cresço quando eu mesma faço minhas coisas. Quero ter liberdade pra poder bater no peito e dizer que o que conquistei é meu, que foi por meu merecimento.



Ei! Não fica me olhando como se eu fosse uma megera egoísta. Eu tou falando é de trabalho duro, tá? Quando trabalhamos até podemos estar em grupo, mas não quero me apoiar em ninguém, nem em você. E não sei como vou te dizer isso, mas, apesar de tudo, de eu ser uma chata de galocha e de tudo, você tem sido sempre meu apoio. Mas com você é diferente, você está lá sempre que eu vou atrás. Você nem sempre sabe quando eu preciso, mas quando preciso, você sempre está disposto. Você disposto até às coisas que eu ainda não tenho coragem... assim... tem coisas que eu me recuso a fazer, pra não sofrer. E você me cobra. Tem medos que eu tenho, sacrifícios que faço em nome de certas alegrias... eu sei que não substituem o que me falta. Mas você está disposto a me dar o que me falta. Porque o resto eu posso conseguir, mas no que eu sou fraca, em algumas coisas sou uma criança, e nisso você me ajuda. Você não desiste de mim.



E eu recuso sua ajuda. Porque eu sou uma covarde. Mas você me ama mesmo assim. Mesmo sem eu merecer. E eu que não sei agradecer, faço o quê? Fujo de você, que é só o que sei fazer. Eu vivi a vida inteira fugindo... eu tenho medo de tudo...

Nenhum comentário: