sábado, 7 de junho de 2014

casadoseamantes

São três, não é? Então tá, aqui vai mais uma, um pouco mais adulta, essa é a terceira. É uma bem... eu não sei se outra pessoa estaria pronta para ouvir. Mas lá vai. Eram um casal que se conheceu bem jovem. Bom, não tão jovem, já eram pessoas maduras. Jovens maduros, digamos. Eramn responsáveis e eram muitos amigos. Os dois trabalhavam juntos. Acho que não tenho coisas interessantes pra contar como você, não aconteceu nada demais na vida deles, eles tinham uma rotina comum, dessas que todo mundo tem. É até bobagem dizer que a rotina os ligava, é clichê, porque eles não tinham muito coisa, nenhuma ligação especial, nada. Eram amigos, só. Talvez menos que isso, colegas. Vai que lá de vez em quando se visitavam, mas até os testemunhas de Jeová nos visitam. Você vê?, não é uma história de pessoas que caíssem de amores. Porque nem sempre as coisas são assim, nem sempre se trata de amor, às vezes é só... sexo. Transa. As pessoas transam, não é? Esses dois faziam isso, não era muito, e até gostavam um do outro, mas era só transa. O problema de se curtir com a pessoa errada enquanto se espera a pessoa certa é que a pessoa certa não virá se você estiver com a errada, ou, se vier, passará batido (sic). Eles sabiam que não eram a pessoa certa, se é que acreditavam que isso existe, um pro outro, mas era melhor que nada. Porque eram pessoas sinceras, sabe? Então, veja, não tinham tempo nem paciência pra procurarem relacionamentos mais sérios, e tinham ao menos aquilo. Não havia compromisso, não havia pressão, não havia carência, nem dependência. No mais, depois de um tempo só, você já nem liga. E no fundo eles estavam sós, mas já não ligavam, se acostumaram, e o fato de terem seus momentos juntos anulava a possibilidade de precisarem no momento de alguém. Embora eles admitissem que logo procurariam alguém. Não temiam em momento algum que uma busca fizesse o outro se sentir mal, porque eram sinceros, e também porque não estava acontecendo nada demais. E o tempo foi passando, a rotina, a falta de tempo pra se dedicarem a pessoas que precisariam do que eles tinham a oferecer naquele momento. Aconteceu o que acontece com muita gente: decidiram se assumirem, mas nunca pensaram naquilo ser definitivo. Pensaram em talvez se casarem, mas nunca definitivamente. O casamento pra muita gente não é um conto de amor, é apenas estabilidade. E convenhamos, quem não quer estabilidade? Você ganha algum status no meio em que vive, legalmente tem suas vantagens, e ainda por cima, tem alguém pra dividir as contas. E o sexo era bom, era gostoso, talvez até por saberem que não se tratava de amor. As pessoas, algumas, são assim, e não é sinismo nem hipocresia, é honestidade mesmo. Então é isso. Digamos que eles eram pessoas honestas. E se suportavam, porque a gente acostuma, vai vivendo. Aliás, eles até diziam que um dia procurariam alguém, os dois, e que não teria nada de mal. De certa forma isso era até desejado. Não se sentiam mal por estarem juntos, não era o céu, era... normal. Até que conheceram outras pessoas. No começo, não quiseram conversar sobre isso, nem perceberam, eu acho. Se perceberam, não ligaram. Se ligaram, não deram bandeira. Se deram, foi ignorada. Se não foi, é porque o outro não se importava. Se importava, era pouco. Estavam apaixonados, sabe? Estavam vivendo a vida. Aquilo sim tenha sabor. Não tem aquelas coisas que a gente só faz e só dá pra amante?
Você sabe, né? Rsrs. A verdade é que no começo tudo são flores, a vontade é toda hora, a gente quer mais é aproveitar, mas aí vem a gravidez, e freqüência sexual diminui mesmo, e com os filhos, trabalhavam, a gente vai começando a ficar numa condição que chega a ser cômica. E vai ficando assim. Não que tivesse filhos, mas agora sim é que estavam felizes. Algumas situações na vida da gente nos faz crescer mais, são... ritos. Isso, são ritos de passagem. Você passa por eles e o mundo muda, passa a ser outra coisa. Então era como um rito, que eles foram amadurecendo. E as coisas deles também. Não sei te dizer ao certo como e o que aconteceu, mas houve até um dia em que não havia ninguém em casa. E ambos se ligaram e sabiam que o outro não estava onde dizia estar. Porque eles tinham isso de ficarem se ligando, como muita gente tem. E aí... e aí eu não sei mais o que te contar. Não sei o final. Mas porque sempre tem que ter um final? Já sei! Vamos fazer assim: você que diz o final. E aí, o que aconteceu? O que eles fizeram?

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